domingo, 3 de outubro de 2010

Dia 64: a Alemanha unida jamais será vencida!

Elá! Isto hoje começa logo assim em tom de revolução, é? Não começa, mas é bem capaz de lá ir parar num instantinho. Mas já lá vamos a essa parte.

A ideia para este dia consistia em ficar a conhecer um pouco mais a cidade que me acolhe. E foi então para isso que me dirigi até à estação de U-Bahn de Ernst-Reuter-Platz, que fica no princípio da Straße des 17. Juni, ou Rua 17 de Junho, embora devesse mesmo ser chamada de Avenida, pela sua dimensão e importância. Esta avenida, que tem cerca de 4km e que vai desde a  Bismarckstraße‎ até às portas de Brandeburgo, tem muita história por si só, desde ter sido um sítio de paradas militares em tempo de guerra, a ser uma pista de aviação no final da II Guerra, a ser o sítio onde normalmente acontecem mega eventos do tipo Love Parade, Live 8 entre outros.

O nome da rua é uma homenagem à revolta de 17 de Junho de 1953, levada a cabo pelos Berlinenses de Leste, sendo que a dita acabou com vários trabalhadores industriais mortos a tiro pelo exército da então República Democrática Alemã, o conhecido exército vermelho, e pela Volkspolizei, a polícia nacional.



Alguns metros andados e encontramos a Universidade Técnica de Berlim. Devo dizer que o edifício é tão ou mais feio que alguns dos edifícios da Universidade Técnica de Lisboa... Deve ser uma questão técnica.


Continuando pela avenida, chega-se até estas colunas que indicam o início do Tiergarten, ou jardim dos animais.


Ali à volta há um stand da marca da estrela, bem como um outro da marca que junta a estrela e um conhecido fabricante de relógios. Dizem que em dias bons se encontram ali boas pechinchas.


Por falar em pechinchas, aos Domingos há uma espécie de mercado de rua nesta área antes das colunas e facilmente se encontra alguma coisa de que não andamos à procura.



Passadas as colunas, e deixando a zona de alcatrão da avenida de parte, podemos então entrar no Tiergarten, um dos pulmões de Berlim. Deve o seu nome ao facto de, em tempos que já lá vão, ser terreno de caça para o colégio de eleitores, aqueles que tinham por missão eleger o Rei do Império Romano ou, mais tarde, o próprio Imperador. Há coisas que nunca mudam e ainda hoje há um colégio de eleitores que, de tempos a tempos, se reúne para eleger alguém...

Tem apenas 210 hectares e é o segundo maior parque urbano de toda a Alemanha. À frente em termos de tamanho está apenas o Englischer Garten, ou jardim Inglês, em Munique.



Lá dentro, seja perto da água seja apenas em zona onde só há arvores, deixa de ser ouvir a complexa banda sonora que marca o ecléctico ritmo de vida desta cidade. De repente, tudo o resto deixa de importar e tudo à nossa volta passa a estar em perfeita harmonia. Arrisco-me a cair na heresia de dizer que ali dentro o tempo anda mais devagar e que as preocupações se desvanecem qual água a escorregar pelas penas de um pato.

Não fossem as várias estátuas a lembrar que em tempos este espaço foi um terreiro de caça, e esse facto desaparecia imediatamente da memória de quem lá entra.





A meio do Tiergaten, e voltando à zona do alcatrão, está a Siegessäule, ou Coluna da Vitória, que originalmente foi pensada para comemorar a vitória Prússica na guerra entre a Prússia e a Dinamarca, mas que na altura que ficou pronta também serviu para comemorar a vitória Prússica na guerra entre a Prússia e a Áustria e a vitória Prússica na guerra entre a Prússia e a França. Os locais chamam-lhe Goldelse, ou Lizzy Dourada.


Pois, ao que parece está em obras de reestruturação. Normalmente o aspecto deste monumento é o que se pode ver aqui.

Continuando pela Straße des 17. Juni podemos ver o memorial de guerra soviético, em honra de todos os soviéticos que caíram nas guerras, em particular os mais de 80000 mil que caíram na batalha de Berlim em 1945.



E é então que esta entrada faz justiça ao seu nome. A 3 de Outubro de 1990, alguns meses depois da queda do muro, as duas Alemanhas passaram a ser apenas uma. Para o celebrar, a avenida foi cortada e foram montadas atracções para um grande número de todo o tipo de pessoas locais, e inclusivamente para os outros como eu que ali foram parar sem saber de antemão que ali haveria festa grossa.



No final da avenida, junto às Portas de Brandeburgo, bem como ao longo da mesma e junto ao Reichstag, foram montados palcos onde a linguagem universal da música servia de balanço sonoro às actividades lúdicas e gastronómicas das pessoas que por ali passavam.





Ao final da tarde, quando todos os VIP já tinham chegado aos seus lugares no palanque em frente ao parlamento, um grupo de pára-quedistas desceu sobre o recinto, ao som de música clássica, sendo que um deles envergava a bandeira da Alemanha, em sinal de que, tal como passou a ser há 20 anos atrás, hoje só há uma Alemanha.




Ao final do dia, e depois de ver o Helmut Kohl visivelmente emocionado com a homenagem que lhe foi feita neste dia, porque ele ajudou à reunificação há 20 anos atrás, estava na altura de regressar ao apartamento.


Parabéns Alemanha!

Sem comentários:

Enviar um comentário