segunda-feira, 9 de maio de 2011

Dia 271: as baleias que cruzam oceanos

Diz o Roberto Carlos «Seus netos vão te perguntar em poucos anos, pelas baleias que cruzavam oceanos». Não sei quando isso vai acontecer, nem se ainda haverá baleias para responder, mas neste dia resolvi ir vê-las aqui pertinho.

Levantar às 6 da manhã a um Sábado é um desafio, em especial para quem fez um dia muito longo na véspera, mas estes pequenos mamíferos que nadam pelos oceanos valem o sacrifício. Uma banana a servir de pequeno almoço, juntar-me aos colegas que iam embarcar nesta aventura e fazer o caminho até Monterey.

À chegada à baía de Monterey, conseguimos logo ver leões marinhos e ainda nem sequer tínhamos entrado no barco que nos iria levar a ver baleias.






Após a entrada para o barco, seguiram-se os avisos habituais nestas alturas: vai ser uma viagem agitada, se enjoarem a única coisa que devem fazer é dar o pequeno-almoço aos peixes borda-fora e na parte de trás do barco, se viajarem atrás balança menos, há casas de banho dentro do barco mas não devem ser usadas para aliviar o enjoo, nada de andar pelo barco sem estar agarrado a qualquer coisa, em caso de necessidade há coletes para todos.

À medida que nos íamos afastando da costa, lá fomos vendo mais uns leões marinhos.



Depois de alguns minutos a grande velocidade, de muita água e de ver várias pessoas a deitarem ao oceano o que tinham dentro de si, chegou finalmente a vez de vermos qualquer coisa de interessante.





Um par de golfinhos! Se não houvesse mais nada, já quase tinha valido a pena a viagem. É difícil tirar fotos a animais que vão a nadar rápido, mas ainda apanhei qualquer coisa. Mas nós estávamos ali para ver baleias e por isso continuámos a acelerar para o sítio onde elas andam normalmente.

As primeiras que vimos estavam bem longe e não deu para tirar fotos em condições, apesar de as ter conseguido ver bem. O capitão levou-nos então mais perto, que é como quem diz, fomos mais uns bons minutos a acelerar pelo oceano, e mais algumas pessoas fizeram o seu pequeno almoço acelerar para o Pacífico.







Mais umas voltas de barco sempre a acelerar, mais uma eternidade de minutos a acelerar pelo oceano fora, mais pessoas a deitar cá para fora os seus interiores, mais várias chamadas de atenção para a direita e para a esquerda, para ver baleias que desapareciam rapidamente e foi então que o dia ficou a valer a pena. As fotos são as possíveis e não fazem qualquer justiça ao que se viu.








Baleias azuis! São o maior animal que existe, podendo ter até cerca de 30 metros de comprimento, ou alguns metros a mais que um Boeing 737, e passar as 170 toneladas de massa. Quando expira pode produzir jactos de água até 9 metros de altura, ou qualquer coisa como um prédio com rés-do-chão, primeiro e segundo andar, sem esquecer o telhado. Diz-se que é tão grande que 50 pessoas poderiam apoiar-se na sua língua, um bebé humano poderia gatinhar pelas principais artérias e um adulto poderia arrastar-se pela aorta.

Os pulmões deste animal podem conter cerca de 5 mil litros de ar, ou cerca de mil vezes aquilo que nós humanos conseguimos manter. Emitem sons de baixa frequência a 188 decibéis, o que é mais ruidoso que um avião a jacto, fazendo de si o animal mais barulhento do mundo, e se estivessem ao largo de Sagres, o seu cantar poderia ser capturado ao largo de Viana do Castelo!

Tivémos muita sorte em vê-las, já que estão em perigo de extinção e este foi o primeiro fim de semana em que estiveram por lá, segundo nos disse a bióloga do barco.

Regressámos então a terra, com mais gente a dar a conhecer ao resto do barco o que ainda tinham lá dentro, e encontrámos os colegas que tinham ido noutro barco. Sou português a sério, com 800 de anos de antepassados ligados ao mar, e é com grande honra que digo que não enjoei nem um bocadinho! No geral tivémos muito mais sorte que os colegas do outro barco, já que as vimos bem de perto e eles só conseguiram ver uma única e bem ao longe.



Seguiu-se almoço de convívio num restaurante local, e depois umas horas a apanhar sol junto ao Pacífico em Carmel antes do regresso ao hotel. Com o vento que estava, é de admirar que ainda houvesse corajosos dentro de água!

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