sábado, 21 de agosto de 2010

Dia 21: Uma visita guiada por Berlim

Tal como no dia anterior, este dia acordou com Sol e foi com Sol que continuou. Já que este era o meu terceiro fim de semana por estas paragens, decidi juntar-me a uma visita guiada grátis por Berlim, para ficar a conhecer melhor um pouco da cidade bem como da sua rica história.

Visita guiada grátis? Mas como é que isso é possível? Bem, as pessoas que fazem de guias são pessoas que adoram a cidade de Berlim e sabem a sua história de trás para a frente, muitos deles estudantes ou recém formados, que fazem estas visitas guiadas na esperança de cativarem as pessoas para a outras que são pagas. Basicamente se estiverem em Berlim a um fim de semana, procurem pela malta com as camisolas encarnadas a dizer New Europe Tours por volta das 10.30 da manhã nas imediações da estação de Zoologischer Garten, ou por volta das 11.00 junto à Porta de Brandeburgo. Vale bem a pena.

Encontrado o guia no primeiro local de recolha de participantes, fizémos então uma pequena viagem de U-Bahn, até chegarmos à Porta de Brandeburgo. Desta vez aquilo estava com o aspecto normal, pelo que as fotos têm pessoas.


Depois de uma atribuição das pessoas aos vários guias, a visita começa com uma pequena história da Porta de Brandeburgo, incluindo a parte em que nenhum edifício nesta praça pode ser mais espectacular que o famoso monumento, para que o dito não seja ofuscado. Também nos é dito que a estátua no topo do monumento já foi mudada várias vezes, sendo que actualmente se chama Vitória e tem a cabeça ligeiramente virada para a esquerda, na direcção da embaixada francesa, precisamente para os ditos se sentirem observados em permanência.


A viagem continua com a história de Berlim em menos de 10 minutos, onde se ficam a saber coisas que muitas vezes vêm nos livros de história, mas de uma forma mais chata. Como por exemplo, o incêndio do Reichstag e os motivos por trás do mesmo.

Continuamos então para um monumento que nos lembra de tudo o que os Judeus passaram às mãos de quem todos nós sabemos. Podíamos dizer que são blocos de cimento de vários tamanhos, todos alinhados entre si, mas são mais que isso. São uma forma de nos lembrarmos de tudo o que aqui se passou e que muitos teimam em tentar fazer esquecer. No meio dos blocos o som da cidade não se ouve, a temperatura está mais baixa, é bastante difícil passar ao lado.


Estes blocos têm uma cobertura à prova de auto-denominados "artistas de rua" que acham que arte é profanar a propriedade alheia e pintá-la com sprays e tintas. Curiosidade ou não, esta cobertura foi aplicada por uma empresa filha da empresa que produzia o gás que ficou famoso pelas piores razões...

Continuámos então viagem para aquele que custava ser a sede da Luftwaffe e que agora é o Ministério das Finanças. Este edifício é um dos poucos que ficou em pé depois dos bombardeamentos e há basicamente duas teorias: foi por puro acaso que ninguém lhe acertou mesmo sendo um edifício enorme, ou ninguém lhe acertou de propósito porque um edifício enorme é um bom ponto de referência para quem vê de cima... escolham a vossa teoria, eu já escolhi a minha!


A visita prossegue então pela cidade, sempre com a guia a dar-nos dicas e a contar histórias, parando então em Checkpoint Charlie para o almoço.


Já depois do almoço, a viagem prossegue então para Este, passando por uma igreja que foi feita para deixar os Franceses contentes, mas que depois teve de ser copiada porque os Alemães também tinham direito a uma. E portanto há duas iguais na mesma praça, apenas com a Konzerthaus, ou casa de concertos, pelo meio...


Continuando então o passeio, vamos dar a Bebelplatz, onde podemos ver o que a praça tem para mostrar.


Sim basicamente é isso. Uma praça vazia. E porque é que eu estou a dar tanto destaque a uma praça vazia? Se não sabem, vão ver o Indiana Jones e a Grande Cruzada que ficam a saber. Ou então leiam apenas a frase seguinte que leva ao mesmo resultado mas com menos efeitos especiais. Foi aqui que os Nacional-Socialistas queimaram livros que eram "incómodos", chamemos-lhes assim, para o regime. Um dos livros que foi queimado foi de um escritor que algures no século XIX tinha escrito algo como "quando se começam a queimar livros, não falta muito para começar a queimar pessoas". Pois, também fiquei assim ao ouvir isso...

A viagem continua então em direcção à Museuminsel, ou ilha dos museus, que como o nome indica é uma ilha onde estão vários museus. E também a catedral de Berlim.


Ali naquela zona, sentados nos degraus do Altes Museum, que tem à porta uma fonte enorme feita de uma peça só de mármore e que devia estar dentro do museu, mas que não está porque não cabe na porta do dito à conta de terem sido feitas em paralelo, ainda houve tempo para perceber a história de como o muro caiu por engano. Não vou contar detalhes, mas imaginem um ministro que não chega a tempo a uma reunião importante do governo, que depois na conferência de imprensa está aos papeis e não sabe como lidar com os jornalistas e acaba por dizer que umas medidas que deveriam entrar em vigor no futuro têm efeito imediato... Faz lembrar qualquer coisa, não faz?


Terminada a visita guiada, e entregues 5 Euros à guia em jeito de gorjeta porque os mereceu bem e é disso que eles vivem, estava então na hora da segunda visita por Berlim, desta vez com um colega local a fazer de guia.

Começámos por andar um pouco em direcção ao ponto natural mais alto de Berlim, um monte enorme cujo topo está a uma altitude estonteante de menos de 70 metros acima do nível do mar. Fica num parque ali para os lados de Kreuzberg, e para lá chegar temos de passar por uma queda de água em que a água que lá corre é, imaginem, lá posta por um cano e desligada no Inverno.


Lá em cima há um monumento a comemorar as vitórias sobre Napoleão e há também uma vista mais abrangente sobre uma parte da cidade.


Depois de mais alguns minutos a andar, parando pelo caminho para reestabelecer os níveis corporais de bebidas produzidas pela fermentação de matéria com amido, derivada de cereais ou de outras fontes vegetais, uma vez que estava calor, chegámos então a um sítio onde decidimos parar para jantar.


E depois disso fomos a um cinema onde passam filmes em inglês com legendas em alemão. Inception. Se ainda não viram, vejam. Vale a pena, se a alma não é pequena. Fiquei agradavelmente surpreendido, e isto apenas para não dizer que gostei bastante!

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