Se ontem tinha ando por Washington a dar uma de turista, hoje decidi dedicar o dia a uns museus que quero visitar desde que cheguei, por ter ouvido muito bons comentários sobre os mesmos. Também estavam na lista de recomendações que obtive das pessoas na base, pelo que voltei à cidade que, tendo uma vasta costa de rio, opta por ocupá-la com tudo o que vos possa passar pela cabeça, menos coisas que as pessoas pudessem efectivamente usar para desfrutar da frente de rio, como por exemplo esplanadas...
Saída do hotel sensivelmente à mesma hora do dia anterior e chegada a Washington após quase uma hora de viagem. Várias voltas pela cidade a ver se encontrava um lugar de estacionamento grátis. Encontrei um, mas outro carro antecipou-se. Mais umas voltas até que decidi voltar a parar num parque com tarifa única diária. Mais 10 dólares.
Subi as escadas do parque e vim parar a um hall em que as portas para a rua estavam fechadas. Bonito. Para melhorar a situação, a porta por onde cheguei ao hall só abria do lado de onde eu vim, o que quer dizer que também não servia para voltar para trás. Foi então que me lembrei das palavras inscritas na capa do mais famoso guia de viagens do universo, The Hitchhiker's Guide To The Galaxy, que como toda a gente sabe, e se não sabe devia saber, são Don't Panic. Não adianta entrar em pânico, que o pânico não resolve nada, antes pelo contrário.
Olhei então à minha volta a avaliar a situação. Estou num edifício nos EUA, sem saída aparente para a rua. Tem de haver uma saída, há sempre uma saída. Sou uma pessoa inteligente, por isso só tenho de usar essa ferramenta ao meu dispor. Vi uma porta identificada com Fire Department Lobby, e dirigi-me para lá. A porta abriu e antes de a fechar verifiquei se a porta seguinte abria também. Positivo. À minha frente estava agora aquilo que me parecia ser um café. Abri a porta seguinte e caminhei calmamente em direcção à luz da rua. As pessoas que estavam naquela dependência do Starbucks ficaram a olhar para mim como se tivessem visto um marciano. Eu saí à rua como se nada fosse comigo e continuei a andar para o Smithsonian Institute National Museum of Natural History, ou simplesmente museu de História Natural.
Chegado ao museu e passada a segurança da entrada, sim que toda a gente tem de passar por revistas às malas e por detectores de metais para entra no museu, cheguei então ao pátio central do mesmo.
Devo dizer que não fiquei impressionado, o que de certa forma foi uma surpresa. Olhei à volta e defini um plano de acção. Começar por cima e vir descendo. Apanhar um elevador e marcar o piso 4. O elevador não aceita. Tentar o piso 3. O elevador não aceita. Seja. Sair no 2 e procurar as escadas. Nas escadas uma tabuleta dizia que não há nada para cima e só pessoas autorizadas lá podem ir. Assim de repente, as minhas expectativas em relação ao museu caíram para metade.
No piso 2 estão patentes exibições pouco interessantes de borboletas e insectos, e também exibições dedicadas aos fósseis, desde os animais marinhos até aos animais terrestres, passando pelo bicho homem e seus antepassados directos. Vi inclusivamente, aquilo que poderia muito bem ser uma representação dos antepassados dos forcados.
Há também uma secção dedicada à história do homem, desde os primeiros Homo Sapiens até ao verdadeiro Iceman.
A secção das pedras é interessante, mas nada de por aí além. De salientar um diamante com mais de 45 quilates, que tenho a certeza muitas raparigas e mulheres não se importariam de receber. E mais ainda, tenho a certeza que haveria homens com dinheiro suficiente para o oferecer.
A secção dos mamíferos tem o que se espera, mas nada além disso.
A secção dos dinossauros é, também ela, muito fraquinha, sem nada de peculiar que valha a pena mencionar.
Uma passagem pela zona dos Oceanos, uma incursão rápida na loja do museu e foi suficiente para chegar à conclusão que vinha a preparar durante a hora que passei dentro do museu.
Se querem ver um museu de história natural digno desse nome não venham a este. A sério! Vão ao de Londres, no Reino Unido, que é muito maior, muito melhor, e muito mais interessante. Se quiserem vou lá fazer de guia, porque já lá estive várias vezes e não me importo de lá voltar. Este ficou completamente abaixo das minhas expectativas. Estava então na altura de passar ao segundo museu do dia: Smithsonian Institute National Air and Space Museum, ou simplesmente NASM.
O NASM é inteiramente dedicado à história da aviação e da exploração espacial. Se a parte da aviação não me diz muito, já a parte da exploração espacial é um tópico que me interessa bastante. Era importante que não se tornasse na segunda desilusão do dia.
Logo à entrada é impossível não ver que o museu aposta em modelos de tamanho real, tanto quanto possível, o que torna a experiência muito agradável e mais fácil de perceber o que as pessoas envolvidas tiveram de passar para ousadamente irem onde nunca nenhum homem ou mulher foram antes. Não vou aqui colocar todas as imagens deste museu, se o fizesse isto ficava mais longo que um catálogo de compras pelo correio.
Desde a história dos irmãos Wright, passando pelos anos dourados da aviação e pela aviação militar durante as duas Guerras Mundiais, até chegar a máquinas mais recentes, este museu tem muito para contar, e é fácil gastar aqui várias horas sem dar por isso. Há inclusivamente guias que conduzem os turistas através da história de uma forma bastante agradável e realista.
Podem inclusivamente ver-se os painéis de instrumentos e o cockpit de algumas das máquinas aqui expostas. Ou aeronaves com nomes interessantes...
Bon Homme Richard? Oui, c'est moi!
Mas há mais para ver neste museu, uma vez que também é o museu da exploração espacial. Continuo a não colocar aqui as fotos todas... Se isto fosse um daqueles pacotes de açúcar, agora era a parte em que eu dizia "um dia crio um álbum e ponho lá as fotografias todas". Como não é, ficamos assim.
Recomecemos então, com uma lição básica de astronomia: como identificar os planetas com os respectivos símbolos.
Reparem que onde costumava estar Plutão, está agora uma placa da cor do fundo. Suponho que esteja assim desde que Plutão foi despromovido à segunda liga, ou seja desde 24 de Agosto de 2006.
Sistema solar e a exploração de Marte? Sim, também cá há informação sobre isso e inclusivamente uma réplica em tamanho real de um dos robots que foi até Marte. Se a memória não me falha, é o Spirit.
Réplicas, à escala obviamente, da International Space Station e do Shuttle? Claro.
Os fatos usados pela tripulação da Apollo XI, que foi a primeira nave tripulada a chegar à lua, em 20 de Julho de 1969? Claro que há. E há também réplicas do carro lunar, bem como da cápsula de reentrada, da escotilha do módulo de comando e de vários painéis de instrumentos.
Um módulo a explicar como é que funcionam as casas de banho em ausência de gravidade, um dispositivo para capturar poeira espacial, réplicas de satélites, uma réplica do espelho do Hubble, simuladores para aprender a pilotar um vaivém... Sim, há lá isso tudo e até um bom pormenor dos motores do Shuttle.
Para além de tudo isto, há também uma parte dedicada a como os avanços nos computadores foram aproveitados pela exploração espacial.
Estando eu a falar de exploração espacial, há uma coisa que não podia faltar neste museu.
Sim, é mesmo uma réplica do módulo lunar da Apollo XI. Com aquela quantidade de papel de alumínio à vista, não admira que muita gente não acredite que o homem já esteve na lua. Eu acredito!
E pronto, assim se passaram algumas horas deste Domingo, a primeira num sítio que não me surpreendeu, as seguintes num sítio que não hesitaria em recomendar. O cansaço acumulado dos dois dias, aliado ao facto de o parque onde parei fechar às 19.00, fizeram-me voltar para o hotel sem mais actividades de exteriores por hoje.
Ah, quase me esquecia. Lembram-se de eu ter escrito ontem que a nuvem por cima do obelisco tinha uma forma bem conhecida? Pois bem, aqui fica um modelo que encontrei na loja do museu para tirarem as dúvidas: "to boldly go where no man has gone before!"
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