domingo, 12 de setembro de 2010

Dia 42: um país a meia-haste

Se há 9 anos atrás, no rescaldo dos acontecimentos a 11 de Setembro de 2001, alguém me dissesse que eu viria a estar em solo Americano nessa data alguns anos depois, eu teria dito que não acreditava. Se me tivessem dito que, para além de estar em solo Americano, eu estaria razoavelmente perto do sítio onde alguns dos atentados aconteceram, eu teria dito que essa pessoa estaria a delirar. Aqueles eventos mudaram mesmo o mundo e eu cá estou, 9 anos depois, a menos de uma hora de viagem da capital do país.

Depois das aventuras do dia anterior, decidi ficar a dormir um pouco mais, o que se traduziu em acordar a horas que o hotel já não servia pequeno-almoço. Seja, é aproveitar para almoçar um pouco melhor e então ir a algum lado, sendo que o esse lado precisaria de ser escolhido com cuidado para evitar as confusões relacionadas com as cerimónias evocativas daquele dia.

A escolha recaiu então pelo Jardim Zoológico, já que eles dizem que é um dos mais famosos do mundo, inclusivamente porque em tempos ali nasceu um panda em cativeiro, algo bastante raro. O zoo fica numa parte de Washington longe dos monumentos principais e da zona central da cidade, pelo que mais volta menos volta lá consegui arranjar um lugar para estacionar sem pagar.

À chegada reparei que alguém tinha sentido de humor apurado, e por isso tinha substituído a placa que diz peões a atravessar, por uma a dizer ursos a atravessar, que sinaliza a passadeira e frente ao Zoo.


Chegando lá dentro, estava na altura de ver que bichos eles lá tinham, bem como que seres do reino animal é que tinham em exibição. Bichos tinham muitos, uma grande parte oriunda da fauna local que, quando percebo o quão inteligentes não são, às vezes me faz pensar se Darwin não estaria enganado na sua teoria evolucionista... Não deveriam já ter sido extintos, em vez de continuarem a existir, crescer e multiplicar-se? É só uma pergunta retórica...

Mas vamos as animais, que foi por isso que fui ao Zoo. A propósito, foi a primeira vez que entrei num Zoo sem pagar, porque a entrada é grátis. Também foi a primeira vez que entrei num Zoo em que a maior parte das coisas não estão à mesma altitude, uma vez que este foi construído numa colina e por isso tem de se descer (e obviamente voltar a subir) para ver os animais todos...

Comecemos pelo sloth bear, em português conhecido por urso-beiçudo (!?) que é um urso nocturno e insectívoro, oriundo da zona da Índia. Estava um bocado irrequieto, pelo que a foto não o favorece assim muito. Só consegui ver um, não sei se há mais que estivessem escondidos.


Depois veio o clouded leopard, ou leopardo-nebuloso, que como o nome indica é uma espécie de leopardo, cujo nome deriva do formato nebuloso das manchas. Vi dois e estavam à sesta.


Continaundo, aparece então o fishing cat, ou gato-pescador, que vem de zonas com água e está bastante habituado a esses habitats, sendo inclusivamente um nadador exímio. Para não fugir à regra, estavam a repousar.


Perto desta malta havia também a asian small-clawed otter, conhecida em português como lontra-anã indiana, que é basicamente uma lontra pequena. Havia duas... e estavam a mexer!


Tempo também para ver o red panda, ou panda vermelho, também conhecido por Firefox. Sim, é esse mesmo. De panda só tem o nome, uma vez que é pequeno e nem sequer se parece com um urso, mas não se livrou de ter os locais a mandar comentários na ordem de "deve ser bebé, é tão pequeno", mesmo que lá estivesse escrito que aquele estava no tamanho adulto...


Estava um bocado envergonhado, mas quando percebeu que quem estava a tirar a foto era um acérrimo defensor da causa Firefox, voltou-se para mim, riu-se e proporcionou-me o momento National Geographic do dia!


Este zoo é famoso pelos pandas, pelo que teria de haver pandas no zoo. Nada à vista na rua, procurem-se então os ditos na casa dos pandas. Um a dormir e outro a comer. Nada mau.


Continuando, houve então oportunidade de ver um elefante, bem como outros pequenos mamíferos.


Uma passagem pela zona dos répteis.



Uma passagem pela zona dos invertebrados, onde se podem ver alguns seres fantásticos que habitam nos nossos mares e oceanos.


E, como não poderia deixar de ser, zoo que é zoo tem de ter os grandes gatos. Tigres e leões mais concretamente, ainda que poucos.


Terminada a visita ao zoo, estava na hora de passar pela cidade e comprovar que o país esteve mesmo a meia-haste. Repeti fotos de alguns monumentos que já tinha, que fotos com as bandeiras em baixo são mais raras. Claro que não podia faltar a Casa Branca e o Monumento Washington, este último não com uma bandeira a meia-haste, mas com todas as que o rodeiam, como deve ser.


Já que estava por ali e tinha arranjado um bom local de estacionamento, antes de fazer a viagem de regresso ao hotel aproveitei também para ver o memorial da segunda grande guerra, que também é bastante famoso. Fica entre o Washington Monument e o Lincoln Memorial, que nas fotos se pode ver ao fundo.


Esta última foto é bastante ilustrativa da mentalidade deste país. Diz mais ou menos assim: "Estamos determinados que antes que o Sol se ponha nesta terrível luta, a nossa bandeira seja reconhecida pelo mundo não apenas como um símbolo de liberdade, mas também como um símbolo de força dominante."

Ainda antes de terminar, tempo para dois ensaios com as cores do céu, o Sol, a água e os reflexos.


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