segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Dia 44: já cá devo estar há tempo demais...

Quando é que se sabe que uma pessoa já está num sítio há tempo demais? Quando  esse alguém já sabe os processos e caminhos que são precisos percorrer para que um estrangeiro consiga entrar numa base militar neste país e, mais preocupante que isso, sabe isso melhor do que quem devia saber.

Hoje tive direito a uma alteração na escolta, já que o destacado habitual não estava na base. Sabia disto desde a semana passada, pelo que foram tomadas as devidas medidas, para garantir uma transição sem interrupções. Ou pensava eu, mas já devia estar habituado a não assumir muito em relação a esta gente.

Na passada sexta-feira seguiu um email para mim e para a pessoa que me ia escoltar hoje. Não podia ser mais claro: encontro no parque de estacionamento dos visitantes à entrada da base, às 8.15. Os detalhes de contacto de cada um de nós iam no email.
 
Eu estava lá à hora marcada, e às 8.20, e às 8.25 e também às 8.30, quando finalmente decidi telefonar a perguntar pela escolta. Ah, pois, a escolta! Vou já para aí, estou aí dentro de 5 minutos. Belo. Vá lá que não se esqueceu do meu identificador...

Chegar ao edifício de trabalho. A escolta preparava-se para entrar quando eu a lembrei que preciso de um identificador para entrar no edifício. Aparentemente ela não sabia, nem tão pouco sabia o que fazer. Normalmente entramos pela outra porta e a senhora que lá está à entrada dá-me um identificador. Ah, então vamos à volta. Não podemos por causa das obras. Devíamos ter parado o carro do outro lado do edifício... OK, violemos então as regras e vamos por dentro do edifício, com a escolta e mais um homem das obras, que deve ter ido connosco só para o caso de eu tentar alguma coisa...

Identificador recebido, segue-se mais um dia de trabalho sem nada a relatar. Ao final do dia sair do laboratório. Dar uma volta inteira pelo edifício e voltar a entrar no laboratório, em círculo. A escolta não sabia quais as portas a usar para eu ir devolver o identificador... Lá tive que ser eu a dizer-lhe quais as portas e corredores a usar... Ser um tipo relacionado com a segurança, com um historial de milhares de horas a jogar computador em que era preciso ter os mapas de jogo na cabeça, dá nisto: já conheço melhor o edifício por dentro do que a pessoa que me escoltou...

Amanhã volta o designado habitual, para aquele que deverá ser o meu último dia de serviço militar "obrigatório". Sim, não cumpri serviço militar obrigatório no meu país, tive que vir cumprir duas semanas de serviço militar com esta gente. E sim, digo "tive que vir", porque tive mesmo. Não pedi a ninguém, foi tudo decidido sem me perguntar nada, e porque era um assunto do Departamento de Defesa, o melhor mesmo era mandar o tipo da segurança. Quando a informação chegou a mim, a decisão já estava tomada. E esta decisão foi tomada assim, com prejuízo claro para o projecto que me mantinha por Berlim, ainda que qualquer outra pessoa pudesse fazer exactamente o mesmo que eu estive a fazer aqui, porque não foi nada de especial que precisasse de ser feito pelo tipo da segurança...

2 comentários:

  1. Com esses processos todos, Kafka à parte, de certeza que essa base militar não fica ali para os lados do Restelo, em frente ao museu etnografico? Isso é mesmo à tuga, só falta veres aí dois submarinos

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  2. Sim, às vezes parece mesmo tuga! Submarinos não vi, mas vi um daqueles helicópteros que não existem :)

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