sábado, 11 de setembro de 2010

Dia 41: esticar os limites

Tinham passado apenas alguns minutos após ter entrado na base e percebi que esta sexta-feira ia ser diferente.  O dia já estava previsto que fosse diferente, mas a essa parte já lá vou, mas tinha acabado de ficar mais diferente do que eu tinha planeado. Tinha-me esquecido do carregador do portátil no quarto do hotel, ou seja não podia contar com ele para o dia, a não ser que o fosse buscar à hora de almoço.

Sem stress, isto é um Mac e acho que consigo fazer com que a bateria do portátil dure cerca de 7 horas, que é basicamente o tempo que estou de serviço dentro da base. Vamos então a isso antes que se faça tarde: reduzir o brilho do ecrã, desligar os programas desnecessários, manter os serviços de rede no mínimo. À hora de almoço desligar o portátil completamente, nada de ficar em hibernação.

Ao final de mais um dia de trabalho, o contador de bateria restante dizia que ainda tinha mais de uma hora de bateria disponível. Missão cumprida!

Chegar ao hotel e ver 20 minutos do jogo entre a equipa da cidade-berço e o Sport Lisboa e Benfica. Esses 20 minutos, em que as equipas já estavam empatadas a um, foram mais que suficientes para perceber que o Olarápio Malquerença também estava a esticar os limites e a não assinalar dois penaltis claríssimos a favor do Benfica, ao mesmo tempo que também fazia questão em assinalar alguns fora-de-jogo que não o eram e cartões amarelos eram só para um dos lados, e que muito dificilmente o Benfica ganharia o jogo... A equipa não está a jogar tão bem como no ano passado, e isso é verdade, mas jogou que chegasse para ganhar. O Benfica campeão incomoda muita gente, e os bois pretos este ano tudo farão para que isso não se repita... Em luta desigual é mais difícil, mas eu continuo a acreditar. As contas fazem-se lá para Maio...

Adiante, que não é sobre futebol que se fala aqui a maior parte das vezes. Disse eu que este dia estava previsto que fosse diferente. Tudo começou na segunda-feira anterior quando ouvi um anúncio na rádio sobre uma sessão de cinema, a levar acabo pela Wolf Trap Foundation for the Performing Arts, no seu Filene Center, para ver um filme premiado com vários Óscares da Academia, que por acaso até já vi mais que uma vez. Tinha gasto 60 dólares e comprado o bilhete pela Internet e agora estava na hora de ir até lá. Preparar o sistema de navegação e fazer-me ao caminho.

Mais de uma hora de viagem, a começar num estado, passar por DC e acabar noutro estado, e 60 dólares parece um bocado abusador para ir ver um filme. Talvez, se eu não disser mais nada sobre o assunto. O título deste dia é esticar os limites, certo? Então vamos a isso.

Tudo começa com uma pequena palestra em que uma das pessoas que trabalhou para esta sessão de cinema explica aos presentes alguns dos momentos do filme e a forma como a banda sonora se ajusta a cada um desses momentos, dando-nos detalhes que vão desde a história da música, passando pela mitologia e pelos instrumentos, ritmos e tempos envolvidos em cada momento chave.

Depois vem o grande momento. Um centro de espectáculos com 3868 lugares sentados lá dentro, para onde os bilhetes são mais caros, e mais 3160 no relvado atrás, onde o bilhete é a menos de metade do preço que eu paguei. Ecrãs gigantes para passar o filme em Alta Definição. Uma orquestra inteira, composta por cordas, metais, instrumentos de percussão, um coro e dois solistas, para tocarem a banda sonora premiada com Óscar do filme em questão.

Pronto, está na hora de desfazer o mistério. As fotos foram tiradas com o meu telemóvel, e por isso não são grande coisa, mas dão para perceber a dimensão do que estou a falar. Primeiro a vista de meio do relvado, onde se pode ver o pessoal com as mantas e cadeiras que trouxeram de casa, e depois a vista à medida que descia para o meu lugar.


Procurado o lugar que me competia, o seja o lugar 29 da fila D, estava então na altura de me sentar. O filme começou à hora marcada e, quando apareceram as primeiras imagens de O Senhor dos Anéis - O Regresso do Rei, desde logo se percebeu que o que nos esperava era muito mais do que poderíamos imaginar.

A orquestra executava a banda sonora do filme, que deu a Howard Shore o Óscar, de uma forma perfeita e em harmoniosa sintonia com o que se passava no ecrã, coordenada pelo maestro que tem à sua frente um monitor a passar o filme com anotações sobre quando é que deve entrar cada uma das trilhas da banda sonora. Chegou o intervalo e tive então oportunidade de tirar uma foto do meu lugar D-29 e do que estava para trás de mim.


Estava sentado naquele que é o lugar central da fila, a cerca de 6 ou 7 metros do ecrã e da orquestra!

Não há palavras para descrever a totalidade e intensidade desta experiência que esticou os limites daquilo que é um grande filme no cinema. Ou melhor, haver palavras até há, são é insuficientes!

Fantástico! Estupendo! Magnífico! Excelente! Fenomenal! Incrível! Inolvidável! Arrepiante! Maravilhoso! Eu podia continuar, mas dá para perceber que é mais ou menos deste tipo de matéria prima que alguns sonhos são feitos...

À saída alguma confusão com todos os carros a tentar voltar às estradas de saída do local do evento. Depois, algo que me fará pensar de uma forma diferente da próxima vez que a empresa das auto-estradas de Portugal reduzir um autoestrada de 3 vias para apenas 2 por causa de obras. Alguém fez o mesmo aqui, mas numa autoestrada de 5 vias a passarem para 1... Um engarrafamento e trânsito em pára-arranca durante mais de 30 minutos à uma da manhã não é natural, mas nem isso estragou a noite!

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